Desabafo da Elaine, tentante.
Esse é antiguinho, mas ainda o sinto da mesma forma...
Então lá vai...
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Eu sonho em ser
mãe desde que era menina, e brincava que era mãe das bonecas.
Todas as minhas
Barbies, em minhas brincadeiras, eram casadas e tinham filhos.
Acho que já nasci
querendo ter família sabe, marido e filhos.
Tive a fase da
negação, em que brigava com qualquer um que se atrevesse a dizer que eu iria
casar, porque decepcionada como estava, nem cogitava a possibilidade de voltar
a pensar no assunto.
Mas, fui sarada,
voltei a sonhar, Dário chegou e me fez ressurgir daquela morte emocional.
Em
20/Setembro/2010 começamos a namorar, noivamos em 20/Fevereiro/2011 e casamos
em 17/Dezembro/2011.
Pois é, 1 ano e 2
meses de namoro, e foi a escolha mais acertada que já fiz na vida: ELE.
Já são 2 anos, 4
meses e 20 dias de casamento, e, o desejo de ter filhos é tão gigante, que há
19 meses já não tomo anticoncepcionais, nem evitamos filhos.
Compramos nosso
Apartamento, e, devemos nos mudar até o final do ano, mas, os filhos não saem
de nossas conversas, de nossos sonhos, de nossos planos...
Não enxergamos
como atrapalho de vida, nem como contratempo, nem como custo, encaramos como
realização, e, por isso, não desistimos.
Descobri aos 14
anos que tenho ovários policísticos, e, tomei durante aproximadamente 12 anos
Diane para combatê-los. Como não era casada, filhos ainda não podiam ser um
sonho diário né?! Então, os anticoncepcionais não eram problema pra mim.
Mas, depois de
casar, o sonho de ser mãe voltou com tudo!
E, saber que Dário
compartilha desse sonho comigo, me faz ficar eufórica enquanto escrevo esse
relato, só porque lembrei disso!
Encontrei um
médico muito bom, com quem venho me consultando, e, iniciamos o tratamento para
combater os policistos e quem sabe assim, eu engravidar. Porém, não é só isso.
Há meses em que eu não ovulo, e por isso ainda nem sabemos como se comporta meu
ciclo. Comecei a tomar Metformina
850mg, em Setembro/2013, e parei apenas em Março/2014. Fiquei sem plano
alguns meses, mas continuei tomando pra não ter que interromper o tratamento...
Durante esse período, tentamos bastante. Fazemos a nossa parte, e, de verdade,
não por obrigação de engravidar, não apenas para engravidar, mas, porque nos
amamos, e, estamos relaxados (apesar de todos ao meu redor afirmarem que é
apenas uma questão de “relaxar”) quando tentamos.
Aí em Abril
retornei ao médico e ele pediu uma nova Ultrassonografia. Em Maio voltei a ele
com os exames... E, tamanha não foi minha surpresa, quando ao analisar o exame
e compara com o anterior, ele disse que o Metformina não fez efeito em mim...
Ou seja, foram 6 meses que não alteraram em nada meus ovários, e, não me deram
novamente esperanças de que os filhos viessem... Ou ao menos que estivesse mais
perto de realizar o sonho...
Já estava sonhando
com o próximo passo, que seria o indutor de ovulação, como ele havia dito
anteriormente. Porém, cheia de policistos como estou, ele disse que não pode
passar indutor para não aumentar perigosamente os ovários ...
Mas, a surpresa
dos ovários me arrasou mais ainda, porque de novo terei que adiar o sonho... E
agora, por pelo menos um ano...
Eu, que já tenho
28 e não quero filhos depois dos 30, com todos os meus medos e traumas, vou ter
que voltar a tomar Anticoncepcional.
Pois é, parece
ilógico, como o Dr. Robério mesmo falou... Mas, o caminho é este... Evitar de
novo pra tentar diminuir ou acabar com os policistos e aí sim, ir para o
indutor de ovulação, se necessário...
Lá vamos nós pra
mais 5 meses de Diane, Selene ou Diclim... Pra depois disso, refazer ultra, e
ver se adiantou, esperar menstruar, e talvez aí ir pro indutor...
Estou consciente
que estamos novos no emprego, que o Plano de Saúde ainda está no período de
carência, e, que com os gastos com o Apartamento esse ano, vou ouvir muitos “é
melhor assim”, “você tá muito nova, tenha calma”, “relaxe”, “que besteira essa
de não querer filhos depois dos 30, você vai querer quando vierem”... Mas, não
quero ouvir. Não quero falar sobre isso com ninguém. Não quero ser cobrada, nem
comparada. As experiências dos outros não valem pra mim, porque eu sou eu.
Sinto diferente, penso diferente, sou diferente. Nem melhor, nem pior, mas
diferente. Quem sabe de mim e da minha dor sou eu.
Meu casamento é
uma bênção e somos realizados um com o outro. Queremos filhos, mas a falta
deles não faz meu casamento ser pior ou menos feliz, valioso, importante,
incompleto.
Será que realmente é tão difícil entender que dói na outra pessoa
não conseguir ter o que mais deseja, e, que não é apenas uma questão de
relaxar?
O fato é que não é
uma questão de relaxar, porque não estamos nervosos.
O fato é que ficar ouvindo
isso me deixa nervosa. Me sinto incompetente. Parece que a culpa é minha, que
sou eu que estou fazendo as coisas erradas.
As pessoas não se importam com as outras de verdade, não o
suficiente pra tentar se colocar no lugar do outro e ao menos pensar “será que
ela não quer ou não pôde ainda, ou não pode mesmo?” antes de falar, e
perguntar, e sabatinar a tentante com tantos “quando vem o seu?”, “só falta
você”, “já tá na hora”, “não demore muito porque é ruim”... Ninguém além de
outra tentante sabe o quanto é doloroso ficar ouvindo as mesmas perguntas de
sempre: - “E os filhos, vem
quando?”... -“Tá na hora de encomendar os bebês né?”... - “Eita, só falta você
né?”... - “Mulher porque não encomenda logo hein?”... - “E você não quer filhos agora?”.
Quando a gente
namora, as pessoas insistem em querer nos casar.
Quando casamos com
pouco tempo de namoro nos criticam porque foi “rápido demais, e você não
conhece a pessoa”. Mas, esquecem que passamos a vida inteira em nossa própria
companhia e não nos conhecemos o suficiente...
Depois do
casamento, as cobranças passam a ser os filhos. Se você não tem ainda, ou não
quer ter (que não é o meu caso), sempre sabem como resolver o seu problema,
porque você passa a ser um problema. É como se a sua fertilidade estivesse
dentro da sua cabeça, e não importa quantos policistos você tenha, se não
ovula, se não conseguiu ainda estabelecer um ciclo, se trata os policistos há
mais de 10 anos e ainda não conseguiu se livrar deles, isso não importa, porque
se você relaxar (mesmo com todos lhe estressando com isso, você tem que se
virar numa pessoa zen e relaxar), magicamente, do dia pra noite você vai
engravidar.
E, todos tem
receitas de como fazer, o que comer, que posições ficar, pra engravidar. Aí
você entende que a culpa é toda sua. É você que não consegue, e não precisa/adianta
fazer tratamentos, porque segundo as pessoas ao seu redor, é só relaxar.
E, tudo que é amiga sua já engravidou, ou está engravidando
justamente nesse período. Sim, todas as minhas amigas estão grávidas ou tem
filhos. São pouquíssimas que não tem, e, menos ainda as que não tem porque não
querem. A que tem endometriose engravidou. A que havia ligado as trompas
engravidou. A estéril engravidou, e, você não engravida porque não relaxa...
E toda grávida que
passa do meu lado, alguém me olha com aquele ar de “só falta você”. Ou então
aponta pra mim e gesticula que eu também irei balançar meu bebê.
Isso machuca pra
caramba...
Eu não gosto de ser alvo. Não gosto de ser sempre o alvo dos
olhares quando nas pregações se fala em “sonhos, filhos, família”.
Não eu não quero sempre ter que responder que estou em tratamento
e não depende de querer, no meu caso, porque Eu quero.
Mas, de fato, com plateia é muito mais doloroso do que deveria.
Com cobranças não tem como não ficar nervosa, ansiosa.
Já basta o próprio
corpo pregando peças... Dando esperanças que serão tiradas no próximo teste de
farmácia que der negativo. É pior do que um soco na cara, porque a dor demora
muito mais tempo pra amenizar, e, antes disso, ela abala todo o sonho, todos os
projetos...
Creio sim que Deus vai nos dar filhos. Eu sei que Deus faz tudo a
seu tempo, e faz perfeito. Mas, o que é possível, eu e Dário temos feito. O que
nos cabe, temos feito. Deus só deve ser “incomodado” com o impossível, e eu não
creio que seja impossível pra gente ter filhos, porque até hoje não foi
detectado nenhum problema que causasse infertilidade em mim ou nele.
Aí, li esse texto
e ele explica como me sinto:
“Eu me sinto mãe. Eu estou pronta pra ser mãe, mas meu corpo não.
Todas as minhas amigas de infância, e estou dizendo TODAS, engravidaram ou
estão engravidando. Até minha prima, dita estéril pela endometriose, está
grávida. E eu fazendo ‘sequiçú’ de hora marcada, nas posições mais
inenarráveis, engolindo Ácido Fólico & Cia, tomando altos hormônios (e
surtando com eles) e nada! Esta é a vida de uma tentante. Baseado na opinião
das pessoas que te rodeiam, tudo está relacionado ao simples fato de “relaxar”.
Daí eu me inscrevo na hidroginástica, volto a fazer Ballet Clássico, tudo para
relaxar. E a vida, só para tirar sarro com a minha cara, faz minha menstruação
atrasar (como esse mês). Me encho de esperança, corro pro laboratório e... e...
e... e.... e... DOSAGEM DE HCG
(SUBUNIDADE - BETA): NÃO DETECTADO! Uma bela de uma porrada na cara -
e mesmo assim ela não desce. E você escuta mil simpatias,
homeopatias, rezas e sai fazendo tudo, tudo mesmo, compra complexos vitamínicos
e kit de ovulação no e-Bay. Mas nada parece surtir efeito pra você. Vida de
Tentante é dura. Tudo vira automático, você compra testes de gravidez em
promoção, calcula isso, prepara aquilo, sonha que esse mês vai dar certo e aí
escuta de uma amiga: “Deus dá o trabalho quando o trabalhador está pronto!”. E
eu me pergunto se existe ser mais pronto que eu, que meu marido.
Sabe aquela sua vizinha que tem quatro filhos homens, sendo que o mais velho já
tem 18 anos? Ela está grávida. Sabe a sua prima?, me conta uma tia... e eu
corto: “Estou sabendo Tia, Catarina está grávida!” e minha Tia: “Não, né ela
não, é a Mayara. “E de gêmeos...”. E olha para mim como se eu tivesse algo a
revelar. Só que eu não tenho nada a revelar. Como se já não bastassem suas
neuras você tem que escutar as dos outros. Exemplo: esse mês meu Pai completou
80 anos. Fizemos uma super festa aqui em casa e, como os hormônios me deixam
com barriga de grávida, eu já me preparo e coloco um vestido longo e solto para
ver se a minha barriga ‘sai da reta. Mas que nada, minha barriga vazia já virou
zona geral, todo mundo mete a mão e pergunta se já tem alguém ali. E eu? Bem,
na última eu não aguentei e respondi à minha sogra: “Tem, sogra, tem milhões de
espermatozoides, que parecem não saber o caminho certo a seguir. Porque uma
coisa é certa: treinar com plateia é pior do que ser pega roubando chocolate
nas Lojas Americanas”.
Não estou ainda tomando ácido fólico, mas já passei algumas vezes
pelos testes negativos de gravidez, seja Beta ou de farmácia. E não, nunca fiz
compras no e-Bay, mas, não posso entrar em lojas de bebês que é difícil me
tirar de lá... Ver roupas de crianças, sapatos de crianças, tudo isso me faz
sonhar, e é tão gostoso imaginar (sozinha) quando será a minha vez de entrar
pra comprar!
Vida de tentante, é dura demais.
Só quem é, sabe.
Elaine Maia

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