Anas e Peninas.
Já diz o
ditado que quando nasce um filho, nasce junto uma mãe.

Mas,
você não se torna mulher por ser mãe.
Você já
nasce mulher.
Você não
se torna uma super mulher por ter se tornado mãe.
Mas,
você passa a exercer um papel sublime, o de mãe, quando de fato aceita essa
função, mesmo sem ter gerado dentro de você o filho que te fez mãe.
Colocar
no mundo não é difícil (para a maioria das mulheres é muito fácil), mas ser Mãe
com “M” maiúsculo é.
Porém,
ser mulher com “M” maiúsculo também é difícil.
Uma
mulher que acorda antes das 6h todos os dias pra ir trabalhar fora de casa,
chega depois das 19h em casa, e ainda tem os afazeres domésticos, se cansa
tanto quanto uma mãe que se dedica em tempo integral à casa, aos filhos e ao
marido.
Não
existe essa história de que por ser mãe e acumular tarefas diárias, sou melhor,
mais mulher ou me canso mais do que quem trabalha 8h por dia na rua e enfrenta o trânsito em ônibus lotados.
Até
porque na empresa não podemos simplesmente escolher não fazer esta ou aquela
tarefa em outro dia. O que é ordenado, deve ser feito no menor espaço de tempo
possível.
Em casa,
com filhos você pode escolher não lavar roupa hoje, mas tem que fazer comida
todos os dias.
Somos
mulheres da mesma forma. Estamos no mesmo patamar.
Apenas
exercendo funções diferentes, porém, dignas da mesma honra, da mesma admiração
e do mesmo cuidado e amor.
Temos a
mesma TPM, as mesmas cólicas, as mesmas crises existenciais, o medo de não
estar bonita, as dores de frustrações, decepções, mágoas e traições... Fofocas também
nos atingem, maridos/namorados/noivos também nos estressam. Nós mesmas nos
estressamos às vezes!
O
problema é que o mundo está cheio de Peninas, que humilham as tantas Anas
espalhadas por aí.
Mulheres
que acham que por terem filhos são mais amadas por seus maridos do que as que
não tem.
Mulheres
que acham que filho é troféu pra ser usado pra se promover.
Mulheres
que acreditam que só se tornaram completas quando tiveram um filho, e
consideram incompleta toda mulher sem filhos.
Mulheres
que não se colocam no lugar da Ana, não conhecem suas lutas diárias, seus
traumas e frustrações, e, não cansam de repetir que “você não sabe como é
difícil ser mãe”... Como se ser mulher fosse fácil!
Como se
fosse fácil aguentar cheia de cólicas os gritos do cliente ou do patrão em cima
de um salto alto e ter que manter a maquiagem intacta.
Como se
fosse moleza levantar quando o sol ainda surge preguiçoso, se arrumar pra
enfrentar o trânsito de cada dia sabendo que quando retornar à noite a cama
ainda vai estar desarrumada, haverão roupas a serem lavadas, comida a ser
feita, e, pratos a serem lavados, e, que você não terá a escolha de deixar pra
lavar no outro dia.
Como se
fosse fácil trabalhar a semana toda sabendo que o sábado não é dia de folga, e
sim de faxina.
Ser mulher
é difícil. Prazeroso mas difícil.
Mulheres
amam ser mulheres, e invejam outras mulheres.
Homens
amam mulheres, desejam mulheres, e, muitas vezes tem várias mulheres.
Existem
até aqueles que desejam ser mulheres.
Mulheres
invejam a bolsa da outra, o sapato da outra, a roupa da outra, o boy da outra,
o emprego da outra, a unha da outra, o óculos da outra, o carro da outra, o
batom da outra, etc...
Peninas
e Anas não se juntam.
E
enquanto Peninas humilham, Anas oram...
Oram pra
que um dia Peninas possam ver a vitória de Anas, e, seja com filhos ou sem
filhos, as Anas de hoje são tão mulheres quanto às de antigamente.
Filhos
são bênçãos, não troféus, e, Anas com filhos tem pra Deus o mesmo valor de Anas
sem filhos.
Elaine
Maia
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