Como é que a gente percebe que precisa mudar?

O tempo passa, até a uva passa, e a sua vida muda apenas em partes.
Você muda! As pessoas ao seu redor também mudam junto.
Você muda de emprego, renova o círculo de amizades, muda de lugar preferido, escolhe uma nova música favorita, desgosta do filme que era figurinha carimbada no seu DVD, enjoa daquele jeans que até ontem era a escolha certa, muda o cabelo, enjoa da cor das unhas, descobre que quer usar azul e amarelo mesmo sem ser copa do mundo, e, percebe que alguns sentimentos simplesmente não mudaram em nada dentro de você.
Aí pra variar bate aquela melancolia básica que te assombra há alguns anos, mas nos últimos dois tá intima demais...
E você começa de novo a rever o filme de onde caiu, onde perdeu, onde desacreditou, onde se perdeu de quem era. Só que rever não altera o script! Você continua não sabendo voltar ao que era, nem continuar de onde parou! As dores voltam, e doem como no primeiro dia – que diga-se de passagem, já foi há 2 anos atrás – e de novo você tenta achar um jeito de se livrar dela.
Mas, se livrar não significa necessariamente resolvê-la dentro de você. Na sua cabeça, a necessidade é apenas esquecer dela.
Aí, nesse momento de reflexão você decide “deixar pra lá” e procurar os pontos positivos dos seus dias, das pessoas com quem convive, e fica buscando motivos pra exaltar as qualidades de quem tanto te magoou.
Aprende a conviver. Aprende a socializar. Só não aprende a superar.
Porque por mais que você se esforce, tudo mudou ao seu redor. Enquanto você ficou parada lamentando, tudo andou.
Mas, um dia você acorda disposta a mudar! Diz que vai levantar sacodir a poeira e dar a volta por cima!
A disposição dura o tempo de um café da manhã reforçado e feliz. Porque ao final do dia, você – de novo – é lembrada que não se encaixa mais. Você lembra que não lhe cabe onde antes cabia e como ainda não pensou nem cogitou uma nova rota pra sua caminhada, mais uma vez pára. E cada mini golpe novo te empurra ainda mais pra baixo, ainda mais pra trás.
Seu dilema agora é “excluir ou não o facebook”, já que ele te conta mais do que você gostaria de saber... Ele te mostra todos os lugares em que você não foi convidado a ir, com as pessoas que você sempre convida pras suas coisas. Ele te mostra os novos amigos daqueles amigos que nas suas dificuldades você tanto procurou e não encontrou porque estavam ocupados nas casas de praia dos novos amigos. Ele te mostra o quanto você perdeu tempo esperando por gente que não deu um passo sequer por você. E, você descobre também o quanto foi negligente com alguns que permanecem tão tímidos na sua timeline, talvez esperando atenção de sua parte da mesma forma que você esperou daqueles outros.
E quanto mais você fuça a página azul, mais descobre o quanto não cabe, não se encaixa, não se enquadra mais perto de tanta gente!
Mas, o pior é ver as justificativas envergonhadas de quem, nunca imaginou que você descobriria que já não te queria mais por perto. E, a vergonha é na verdade por isso, o fato de você ter descoberto, e não a exclusão em si.
Deveria ser o momento mais feliz da sua vida. Afinal, algo novo apareceu. O velho se revelou de modo “novo”. E agora você precisa buscar um novo meio pra se inserir, um novo hobby pra ter, um novo começo pra buscar, uma nova caminhada pra trilhar. Mas, não é.
É triste. É irritante. É melancólico. É irônico. É constrangedor. É doloroso.
Ver que todas as regras pregadas tão veementemente a você, e que você seguia à risca, só se aplicavam a você!
Ver que não, onde cabe um não cabem dois. A não ser que você seja quem convida, quem monta, quem faz.
Ver que você já não tem certeza do nível de verdade/falsidade existente no teu dia a dia.
Sentir que agora você já não sente mais nada.
Se tava frio, agora congelou.
Apenas uma coisa é certa: tem que mudar. Tem que mudar tudo!
Mudar de ares, mudar de roupa por dentro!
Tirar a tristeza por quem não te acrescenta ter ido embora e agradecer por não ter sido você a remover ninguém da sua vida!
Tirar a dor de lamentar a falta do que vivia pela falta das pessoas com quem vivia, e agradecer por agora, saber exatamente quem são.
Agradecer pela vida e pela liberdade!
Agradecer por ser dona de si e das próprias decisões!
Agradecer porque se ninguém te deve nada, em contrapartida você também não deve mais a ninguém!
Mude! Comece devagar, mas não guarde os cacos do passado! No seu caso, caco velho não constrói vaso novo, você não é Romero Brito e não tem esse dom!
Mude o pensamento ao acordar!
O mundo não vai parar esperando você ter vontade de novo. Crie a vontade! Forje a vontade! Invente a vontade, mas faça ela aparecer e se levante!
Levante-se e se mude.
Mude de mesa, mude de círculos, mude de relacionamentos.
Quando você deixar pra trás o que te atrasa, o que te leva pra frente pode surgir de onde você menos espera. Ou, de onde você ainda não conhecia por estar presa lá atrás.
2 anos é muito tempo.



Reaja!



                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    Elaine Maia



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