Manifesto ao Perdão.
Muito se ouve falar em relação
à Restituição.
Todos desejam ser restituídos!
Dos impostos que pagam, da
Receita Federal, do namorado que a amiga roubou, da amizade que te levaram, dos
sonhos perdidos por uma decepção, da dor que aquela traição trouxe.
O que mais se deseja é ser
restituído. Ressarcido. Recompensado. Justificado. Beneficiado. Honrado.
Porém, o que quase nunca – ou
nunca mesmo – se ouve falar é em ser o agente desta restituição.
Por que não, o que deseja ser
restituído, restituir alguém?
Não importa se você foi o
causador da perda do outro, mas, você pode auxiliá-lo a superar essa perda.
Você também precisa ser
restituído, também está carregado de dor e medo, e acha que não tem nada para
oferecer, mas tem: Compreensão. A compreensão de quem sabe exatamente o quanto
dói perder algo. A compreensão de quem sente a dor que o outro sente, e, sabe exatamente
o que isso lhe causa.
Doar-se ao outro enquanto o que
mais se deseja é receber atenção.
Dar o abraço a quem precisa,
enquanto você é quem precisa de um acalento...
Reconhecer que há mais pessoas
sofrendo no mundo do que você admite é recompensador.
Quanto mais se percebe o outro,
menor – aos seus próprios olhos – seus problemas se tornam. Você começa a ver
que há outras pessoas passando por situações parecidas ou piores que as suas.
E, começa a entender o quanto é valiosa a compaixão.
E aí, você começa a lembrar dos
momentos bons vividos com quem te magoou...
E percebe que nem tudo foram
espinhos.
Uma certa serenidade surge...
Sem o fingimento de quem tenta
agir como se nada tivesse acontecido estando magoado por dentro. Mas, com a
sinceridade de quem admite que ainda não sarou a ferida, que a dor é latente,
mas, que reconhece que o outro tem qualidades também. E, eu também! Porque
também não sou só defeitos, nem só qualidades! Mas, somente olhando para o
outro, tirando o foco do meu umbigo é que pude voltar a enxergar isso!
E então, você começa a entender
que também pode ter roubado alguém...
O perdão que você deseja tanto,
pode estar ligado àquele que você não pediu.
A paz que você procura, pode
estar junto daquela que você tirou do outro.
E passa a acreditar que nem é
tão difícil assim pedir perdão. E sabe que não é do dia pra noite, nem da noite
pro dia que água se transforma em vinho. Sabe que óleo e água não se unem. Mas,
sabe que podem viver pacificamente no mesmo ambiente.
Porque quando se está em paz, a
tempestade nada mais é do que o prenúncio de um lindo arco íris!
Quero
aproveitar este espaço para pedir PERDÃO a
quem eu já feri, magoei, machuquei, decepcionei com alguma atitude/palavra ou a
falta dela.
Muitas
vezes ferimos o outro sem ao menos nos dar conta, pois, estamos ocupados demais
cuidando do nosso eu gigante.
Tenho
consciência disso, e, assim como fui ferida – e sei o quanto ainda me dói –
alguém pode estar inquieto sofrendo por algo que EU fiz.
Da
mesma maneira que tenho uma memória enorme pra lembrar o que me doeu e dói,
lembro também de tudo que já me fez feliz, ao menos um momentos, ou vários
deles! As mãos que me ajudaram, mesmo que já não ajudem mais. Os abraços que
tanto me acolheram, mesmo que agora sejam só lembranças. As ligações demoradas
que tanto me salvaram do desespero de um choro solitário, mesmo que hoje nem
tenhamos mais o telefone um do outro. Aos amigos de ontem, mesmo que não
permaneçam no meu hoje, ajudaram a construir o que me tornei, e sou grata por
isso! Aqueles com quem dividi tanto de mim, e que também dividiram comigo suas
vidas. Aqueles que o casamento, o trabalho, os filhos, separaram de mim, ou que
o meu casamento, meu trabalho, meus afazeres me afastaram deles, meu muito
obrigada por cada minuto investido/perdido comigo!
Posso
não demonstrar. Posso estar longe. Mas, com certeza você faz parte de
lembranças que guardo carinhosamente em meu coração, e, que só de lembrar, me
fazem sorrir. Fui muito feliz com vocês, e, continuo sendo, pelo fato de ter
tido vocês em minha vida e ter passado em suas vidas – mesmo que não tenhamos
mais contato.
Muito
Obrigada!
Elaine Maia

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