Coloque o mundo no MUDO.
O mundo gira, mas o dela para.
Na verdade já está assim há algum, mas ninguém se atreveu a perguntar
o que houve.
Ou tem medo da resposta ou não querem mesmo saber, porque ela, não é
problema de ninguém.
E por mais que digam que querem ajudar, quem perguntou, perguntou
apenas porque precisava de uma frase pra começar a conversa, e, antecipar o
pedido que seria feito.
Ela já foi forte. Era doce, sonhadora, empolgante. Seu mundo girava
depressa, mas, cada minuto era muito bem aproveitado, cheio de vida. Seus dias
exalavam alegria. Ela distribuía incentivo, motivação, elogios e abraços.
Mas, quando a alegria se afastou, o incentivo aos outros deixou de
existir também. Ela começou a ser carente de elogios, abraços, e, mais ainda,
carente de pessoas.
Fulana murchou.
Afogou-se em lágrimas por vários dias. Anos até.
Foi perdendo aquela vitalidade tão costumeira. O brilho em seus olhos
foi ofuscado por uma nuvem de silêncio e isolamento.
E ela parou.
Colocou o mundo ao seu redor no mudo, e calou-se.
Não fez voto de silêncio nem nada do tipo, mas, calou-se.
Calou-se em relação aos outros.
Calou-se em relação às coisas.
Calou-se em relação aos seus descontentamentos.
Calou-se em relação a si mesma.
Calou-se diante da própria vida...
Dentro dela continuava falando. Gritando até!
Tão ensurdecedores foram esses gritos que acho que ela ensurdeceu...
E, emudeceu.
Sua voz não tem mais peso, nem alcance.
Seus ouvidos já não ouvem – nem esperam ouvir – alguém se aproximando.
Seus olhos continuam a observar toda a ausência contida nas multidões
em que está inserida.
Mas ali, no meio de tanto barulho, seu mundo permanece mudo.
Como uma música pausada, ela parou com tudo o que costumava se
relacionar.
Como quem aperta STOP no aparelho de dvd pra ver o resto do filme mais
tarde, ela parou de se envolver.
Algumas vezes acho que ela só está com grandes fones de ouvido lhe
impedindo de ouvir qualquer ruído que possa trazê-la de volta.
Mas, em outras ocasiões creio que tenha se sufocado com as palavras
que nunca disse.
E nem adianta gritar pra ela. Ela não ouve.
No mudo, seu mundo permanece mudo.
Elaine Maia

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