Falsidade Ideológica.

Omitir,
em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele
inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita,
com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre
fato juridicamente relevante.
E o que dizer de quem comete este crime
contra si mesmo?
Estamos rodeados de pessoas falsas à sua
própria ideologia. Falsas em relação à sua própria moral, ao seu próprio
caráter.
Quando alguém chega ao ponto de ser falso com
o outro, é porque já o fez/faz consigo mesmo há algum tempo, e, já não discerne
mais o imaginário com o real. Vive uma vida misturada. Fala de coisas fictícias
com propriedade, mas, das reais pouco ou nada sabe.
Muitas vezes escuto as pessoas dizerem que
não confiam no outro porque o outro é falso. Ou que se incomodam com o sorriso
exagerado do outro, por achar impossível que seja verdadeiro.
Criticam aqueles que levam vidas consideradas
perfeitas demais, e buscam a todo custo achar uma falha séria naquela perfeição
toda, que possa desmascarar o Sr. Ou a Sra. Perfeita.
Mas, enquanto buscam grandes descobertas,
escândalos daqueles bem cabeludos, ou traições dignas de uma novela mexicana,
esquecem que também têm sido falsos...
Comete falsidade ideológica quem não luta por
sua própria ideologia.
Quem sabe do que gosta e não se posiciona
para alcançar.
Quem reclama dia a dia do trabalho/emprego
que tem, mas, nada faz para mudar-se dali. Nem procurar mudar o lugar onde
está, nem procurar melhorar para o lugar onde está.
Aquele que vive à procura de oportunidades
para estar em evidência, e, quando as tem, se auto-elogia, se vangloria, exalta
o que tem e é, mas, nunca se viu tantas qualidades naquela pessoa colocadas em
prática.
Aquele que profere palavras fictícias de
apoio às pessoas fragilizadas por alguma situação (a seu ver muito fácil de
resolver) sem ter o mínimo interesse de ouvir a respeito, ou acompanhar a
pessoa durante o processo de cura emocional.
Aquele que adora declarar que está sempre disponível
e que podem contar com ele, mas, que nunca levantou o bumbum da cadeirinha pra
ajudar o outro mesmo vendo ele precisar, simplesmente pelo fato de que “se ele
precisa, ele que me procure”. Cria uma barreira entre si e o outro, deixando
clara a posição elevada em que se coloca, pelo fato de acreditar ser mais
centrada, mais madura, mais racional do que o outro, portanto, capaz de lhe dar
os conselhos certos para que todos os seus problemas sejam resolvidos.
Este tipo é comum. O falso amigo que te faz
admirá-lo e querer permanecer sempre ao seu lado, percebendo as necessidades
dele e tentando suprí-las para que ele não sofra, mas, que nunca vai notar de
fato a tua necessidade. E, quando você de tão desesperado, lhe pedir ajuda, ele
dirá “não importa o que seja vai passar”, “seja forte, vai dar certo”, “se
liberte disso, não fale a respeito”, “esqueça isso”, “deixe pra lá”, ou,
qualquer frase feita de efeito que te faça parar de tentar dividir com ele seu
problema, porque, ele simplesmente não quer ouvir.
A falsa sensação de que ele está do teu lado,
e o medo de se sentir ainda mais sozinho se ele não estiver, te fará engolir
tudo o que sente, a dor, as dúvidas, o medo e tudo mais. Goela abaixo você
empurrará toda a sua necessidade de ser ouvida, e para ele será sempre um
grande ouvido. Pronto a ouvir, nunca a falar.
Aquele que te elogia para quem nada pode
fazer por você, ou para te promover – ainda que saiba de seus talentos e dons –
na sua frente, mas, que nunca tocará em seu nome se o cargo/função/vaga/promoção
de fato lhe couber. Antes, tentará ele mesmo ser o candidato e o escolhido para
tal coisa.
Aquele que se intitula o menor, o mais fraco,
o mais sensível, o piorzinho, o coitadinho, o infelizinho, a vítimazinha, mas
sempre diante das pessoas certas, para arrancar elogios e quem sabe uma
moralzinha/empurrãozinho pra chegar onde quer né?
Aquele que floreia os acontecimentos de sua
vida, de modo a aparentar que tudo foi casual, surpreendente, incrível, sem se
importar com a verdade pura, pois, ela não é tão interessante quanto você quer
que pareça ser.
Aquele que beneficia um em detrimento do
outro, para satisfazer seu ego e suas vontades. Ou ainda, para elevar o nível
em que seus bajuladores oficiais estão, lhes proporcionando uma certa alegria e
obviamente, aumentando sua gratidão e servidão gratuita.
A meu ver, comete falsidade ideológica quem
defrauda os sentimentos do outro, alimentando um sentimento não-recíproco,
mantendo o outro preso a ele o máximo que puder, para que possa se utilizar
desse amor/paixão/admiração/amizade em benefício próprio, ainda que às custas
do sofrimento do outro.
Aquele que é comprometido, mas mantém um caso
extraconjugal, apenas para satisfazer desejos que considera impróprios para a
esposa/noiva/namorada, a pura, a de casa, a que ele apresentou à família e aos
amigos, mas, considerado normal se a amante, aquele a quem nunca honrará nem
levará a sério, faz pra ele.
Aquele que denigre a imagem de todos à volta
do amigo, obrigando o amigo a entrar em sua teia de dependência dele, já que
ele/ela é o único bom/boa o suficiente pra o amigo confiar.
Aquele que não respeita a liderança, mas,
diante de todos age como se respeitasse, e, no íntimo do seu coração arma
planos mirabolantes para destituir o líder, humilhá-lo ou desmoralizá-lo, de
uma maneira que uma terceira pessoa leve a culpa.
Aquele que mente para o outro falando apenas
o que o outro quer ouvir, mesmo sabendo que a verdade poderia salvá-lo de uma
destruição emocional.
O falso nunca será melhor que o original, e a
falsidade é inerente ao falso assim como a mentira é ao mentiroso.
A verdade por mais dura que seja, determina o
ritmo de sua caminhada, e os degraus de seu futuro.
Se você não se respeita a ponto de ser
verdadeiro consigo mesmo, assumindo quem é, o que gosta e o que não gosta, o
que quer perto de você e o que quer longe, sendo realista e nunca deixando
dúvidas sobre sua opinião favorável ou contrária a qualquer
tema/assunto/pessoa, mas, lembrando de ter cautela, respeito, e, humildade,
você não é digno de grandes expectativas.
Quem não sabe o que quer, e não luta para
conquistar, deve aceitar o futuro que vier. Sem reclamar.
Elaine Maia
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