Deus sempre manda uma porta de escape...
Aconteceu comigo em 2009, mas, nunca esqueci! Vale a pena relembrar e agradecer de novo a Deus!

Há 2 anos atrás quando passei as festas de fim de ano com meus familiares de São Paulo e Curitiba, enfrentei o caos aéreo pela primeira vez. Perdi vôo, fiquei sozinha em um lugar que não conhecia e quase entrei em desespero, no entanto, Deus me deu neste dia, o meu primeiro (e quem dera tenha sido o primeiro de muitos) dia de princesa. Fiquei em Hotel, com tudo pago, tive todas as mordomias que nunca antes havia tido. Me diverti, e o melhor, sem gastar nada!
Ontem, quarta-feira, 25 de fevereiro, Deus me deu mais uma porta de escape, e mais história pra contar.
Comecei no emprego novo, e ao invés de sair às 18h como deveria, me atrasei, e só saí perto das 19h. Peguei o ônibus até o centro da cidade (Curitiba) para poder pegar o segundo ônibus lá. Desci na Praça Zacarias, caminhei pela XV de Novembro em direção à Praça Osório, onde minha prima mora e lá, aguardei minhas primas que também vinham do trabalho para papearmos um pouco antes de eu ir embora. Eram 19:30.
Quando elas chegaram conversamos por cerca de 30 minutos e saímos. Uma de minhas primas foi apanhar o ônibus na Praça Ruy Barbosa, enquanto eu, minha outra prima e o namorado dela seguimos até a Praça Tiradentes. Lá, por indicação de uma cobradora que conheci segunda-feira dia 23 de fevereiro, apanhei o ônibus da linha Bom Retiro – PUC. Muito bem o ônibus foi pelo caminho ‘correto’ até as proximidades do Cemitério. Só que ao invés de entrar na rua do Hospital Nossa Senhora do Pilar, ele foi pela rua da Opet (colégio e faculdade daqui). Quando me dei conta, estava numa rua desertíssima, no escuro, apenas com o cobrador e o motorista dentro do ônibus. Gelei, comecei a tremer. O cobrador olhou pra mim e falou “moça, este é o ponto final”.
Comecei a tagarelar que não era daqui, que não havia me acostumado com os ônibus e as ruas ainda, e explicava rapidamente onde queria chegar. Ele, que é do Piauí, me falou que eu não era a primeira pessoa com quem isso acontecia, e que não havia problema, eu retornaria com eles, até o cemitério e lá teria 4 opções de ônibus (os que eu sempre soube que passavam,e devia ter pego! Caramba, querer inovar sem conhecimento de causa dá nisso às vezes) para chegar em casa. Até aí tudo bem.
Desci no ponto do Cemitério, atravessei a rua, e me coloquei de pé no ponto. Sozinha até então. Haviam alguns garotos andando de skate na praça onde o ponto se encontra, as lojas haviam fechado, até a banca de revista fechou, e me pus a esperar qualquer um dos benditos ônibus. Passaram-se alguns minutos, o celular começou a tocar dentro da bolsa, e eu atendia e desligava a ligação (que sabia ser de meus pais) apenas no fone bluetooth que estava na orelha, coberto pelo cabelo. Comecei a ficar nervosa, devido à demora do ônibus, e ao avistar dois ‘maloqueiros’ se aproximando fiquei realmente com medo.
Os dois com idade aproximada de 14 ou 15 anos, me olhavam muito, passaram na minha frente me encarando, passaram por trás de mim no ponto ainda me olhando, e para qualquer lado da praça que fossem não tiravam os olhos de mim. Um deles mexia muito na cintura, e cada vez que o fazia, me dava mais medo. Notei que um dos garotos do skate havia parado de andar, e estava de pé observando os outros. Comecei a bolar mil assuntos pra conversar com ele, caso os garotos voltassem pra perto de mim. E nada de ônibus até então!
Um dos garotos entrou no boteco (o único estabelecimento ainda aberto) da esquina do outro lado da praça enquanto o outro esperou do lado de fora, e quando saiu, os dois voltaram em minha direção. Corri pra perto do skatista e perguntei as horas. Ele não tinha relógio! Mas, um outro rapaz passava e ele perguntou. Eram 20:45! Voltei-me para trás, olhei os garotos, o skatista fez o mesmo, e exclamou “tá demorando teu ônibus não é?”, afirmei que sim, e comecei a falar sem parar (faço isso quando estou nervosa) que não sabia direito os ônibus e ruas daqui ainda, que sou de Maceió (ele ficou encantado com isso, falou que é doido pra conhecer Maceió e tal), que havia apanhado o ônibus errado, e com o decorrer da conversa até me acalmei. Ele pareceu confiável, e muito simpático. O ônibus ainda não havia passado quando os amigos dele chamaram para ele ir embora. Ele me olhou numa aflição e falou “ah, e agora, você vai ficar aí sozinha?”, falei que sim, e fiz uma cara de desespero que acho que comoveu ele! Percebi que ele e os amigos conversavam enquanto guardavam os skates na mala do Celta branquinho, duas portas. Pouco depois de entrarem no carro, e eu ter visto que os dois maloqueiros de quem fiquei com medo, estavam sentados atrás do ponto me observando, eles pararam o carro na minha frente e o que há pouco conversava comigo começou a conversa novamente:
- Você não aceitaria carona de estranhos não é? Sei que você não conhece a gente, mas não queremos que você fique sozinha aqui, é perigoso.
(Eu apenas me encolhia, e pedia a Deus que me dissesse o que fazer!)
Ri, nervosa e falei que não sabia.
- Se você quiser, claro, a gente te deixa em casa, ou pelo menos perto dela – dizia ele.
Olhei para os lados, vi os garotos, olhei de volta para os do carro, e num impulso, falei que queria sim, se eles pudessem realmente.
O da frente, desceu, virou o banco e me apontou o banco de trás.
Perguntei o nome dele antes de entrar, e ele falou “Leonardo” (ai que saudade do Léozinho que me deu nessa hora), os outros dois chamavam-se Bruno (o motorista) e Edinho (o que estava no banco de trás). Pedi licença, entrei e o Leonardo começou a falar:
- Eu não iria conseguir deixar você aqui, ficaria preocupado achando que aconteceu alguma coisa, e caso acontecesse iria ficar com a consciência muito pesada.
- Você nem teria como ficar com a consciência pesada porque você nem saberia caso acontecesse!, exclamei.
- A não ser que passasse na tv, no programa policial eu saberia - disse ele.
- Não quero ter 15 minutos de fama assim! - falei.
Todos rimos, e o Edinho e o Bruno falaram que gostariam de conhecer Maceió, e tal.
Apontei o caminho, e o Bruno virou na rua errada, falei que era atrás, ele pediu desculpas e voltou. Entramos na rua do Mercadorama e eles me deixaram na pracinha, no ponto que eu deveria ter descido.
Agradeci muito, falei que melhor que isso, só dentro de casa!
Desci, dei um tchau pra eles, e o Leonardo falou: “tchau Elaine, até mais!”.
Ele falou que achou meu nome engraçado, pelo jeito que pronuncio!
Caminhei em direção à casa de minha tia, e chegando na esquina um carro vermelho passou e o motorista gritava “quer carona boneca? Quer uma caroninha?”, comecei a tremer de novo, achava que havia acabado o pesadelo! Ele então parou o carro, deu marcha ré, parou do meu lado e continuou falando “quer carona boneca?”, desviei o caminho, ele foi embora e eu fui pra casa. Cheguei nervosa, tremendo, e meu pai já estava passando mal.
Dadas as devidas explicações, agradeci a Deus pelo escape, e pelos três anjos skatistas que ele mandou pra cuidar de mim.
Deus sempre nos dá uma porta de escape...
Nunca duvide disto!
Elaine Maia
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